A divisão de bandas por estilos musicais foi feita para agrupar bandas diferentes, porém, com características em comum. Por exemplo, Slayer e Megadeth são bem diferentes, mas ambos são trash metal por terem riff curto, uso do abusivo do palm muting para criar a "cavalgada", grande velocidade, vocais com influências do hardcore e etc. Apesar de terem todas estas características em comum, elas não perdem a sua originalidade e sonoridade própria. Qualquer pessoa pode ouvir uma música de uma das bandas e reconhecer como própria dela sem problemas, assim como qualquer pessoa pode perceber que ambas fazem parte de uma mesma concepção sonora.
Seguindo este conceito, é necessário ressaltar que muitos estilos criados pela mídia não têm sentido algum. Por exemplo, o "Symphonic Metal". São várias as bandas que usam elementos sinfônicos em suas músicas, mas poucas compartilham alguma outra semelhança na sonoridade. Que semelhança há, por exemplo, entre Haggard e Stratovarius? Apenas o uso de elementos sinfônicos. As bandas não compartilham praticamente nenhuma outra característica comum. Os conceitos de orquestra e sinfonia, aliás, é visto até mesmo fora do metal. Bandas de Hard Rock como Scorpions possuem tais traços musicais, ressaltados em alguns trabalhos.
Um traço não-musical que pode ser facilmente generalizado não pode definir um estilo. Por exemplo, muitas são as bandas que usam contos e obras de Tolkien como tema musical. Poderíamos, então, criar o "Tolkien Metal" para agrupar todas estas bandas? Acho que não preciso responder a pergunta.
Mesmo que um elemento, característica ou traço não seja facilmente generalizado, ele não é capaz de definir um estilo por si só. São conjuntos de características comuns entre várias bandas que definem estilos musicais. Toda banda que usa gutural seria, automaticamente, Death Metal? Claro que não. Muitas bandas de Thrash e até mesmo algumas de Power usam o gutural, além de, é claro, o Black Metal (mesmo que esse seja diferente). O uso de guturais é um elemento importante do Death Metal, mas ele por si só não faz o estilo. Há também outras características, como os riffs, a grande velocidade e tempo acelerado, guitarras bastante distorcidas, etc.
Por fim, não existe, em hipótese alguma, um estilo para apenas uma banda. Algumas bandas têm características únicas que não compartilham com nenhuma outra banda. Haggard, por exemplo. Que diabos Haggard toca? É simplesmente indefinível. Sendo assim, deveria se criar uma divisão, um gênero próprio para a banda? De forma alguma. A função dos estilos musicais é agrupar, e não separar bandas, como muitos pensam.
Identidade
Um estilo é, acima de tudo, identidade. Aquilo que vai agrupar seus fãs e, em muitos casos, influenciar outros grupos que queira seguir aquela sonoridade em especial. Passa-se a ter, nesse caso, uma identificação com alguns elementos e eles se tornam pontos comuns, pontos-chaves que vão definir o grau de semelhança.
Evidentemente que esses pontos não vão aparecer em todas as bandas o tempo todo e nem sempre da mesma forma. Há uma enorme diferença entre um Morbid Angel e um Cannibal Corpse, muito embora ambas as bandas sejam de um mesmo estilo, o Death Metal. Elas compartilham do vocal gutural e do som extremamente rápido e pesado. Assim como o Kreator e o Metallica são bandas absurdamente diferentes, mas possuem características thrash metal.
Então a rotulação em si por estilos ajuda a criar essa identificação com o som e com a banda. Um cara que curte Megadeth possivelmente vai gostar de um Tankard ou mesmo um Mortal Sin, muito embora as bandas em si não tenham nada a ver uma com a outra. Assim como quem curte Moonspell certamente vai ter uma predisposição a ouvir Type O Negative e Tiamat, mesmo essas seguindo por caminhos bem opostos.
A segregação por estilo
O grande problema é a mente do fã, no sentido estrito da palavra. Se antes era mais importante se você ouvia rock ou pop ou ainda, se ouvia metal ou não, hoje dentro de um mesmo estilo existem intolerâncias e preconceitos. Antigamente não havia o menor problema em você ouvir um Saxon e um The Cure. Hoje o fã de Saxon sequer encosta no The Cure, mesmo que o som possa, em alguns momentos, ser-lhe agradável.
Esse fã se sente traído se a banda resolver colocar algo de diferente no som. Se algum dia desse a louca de o Candlemass colocar polca no som, mesmo ficando bom, o fã vai reclamar. Colocar coisas fora do metal é um risco enorme, mesmo tendo boa música fora do metal, como jazz, mpb, coisas de folk music etc. A música erudita acaba soando como uma forma de a pessoa sentir-se “mais culta”, mas que na verdade, fica superficial demais.
Esse é o lado mau da coisa. O lado negro, onde o fã não usa o estilo como forma de agrupar, mas sim de segregar. E isso precisa mudar. Porque ninguém ouve uma coisa somente por anos sem se cansar. E nem consegue apreciar musica direito, fechando a si mesmo num círculo restrito e limitado.
Fonte: MusicGround
O Que Define Um Estilo?!
domingo, 10 de maio de 2009
Postado por Cultura Alternativa às 10:53
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